Pedir crédito com dívidas

Organização financeira antes de pedir crédito com dívidas

Quando há uma dívida em aberto (ao Estado, a um banco ou numa fatura por pagar), é natural pensar que o crédito ficou fora de alcance. Não é necessariamente assim: ter dívidas não significa recusa automática, mas muda a forma como as instituições olham para o seu pedido. O que pesa é o tipo de dívida, se já está regularizada e a solidez do resto do seu perfil.

Explicamos a seguir o que muda quando pede crédito com dívidas em Portugal e em que situações o pedido ainda pode avançar. Ver também: as principais razões que levam a um crédito recusado.

Como a instituição avalia o seu pedido

Antes de aprovar um financiamento (pessoal, automóvel, habitação ou consolidado), o banco ou a financeira analisa o risco do pedido. Quer perceber se consegue pagar as prestações com folga e sem sobressaltos.

Nessa análise entram, entre outros fatores:

  • o rendimento líquido mensal e a regularidade com que o recebe;
  • o tipo de contrato de trabalho e há quanto tempo o tem;
  • o seu histórico no Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, o documento que mostra os créditos registados em seu nome;
  • a taxa de esforço, isto é, o peso das prestações no rendimento;
  • as dívidas às Finanças ou à Segurança Social, se existirem.

Mesmo com um bom rendimento, uma dívida fiscal por regularizar pode bastar para travar a aprovação, porque a instituição passa a ver o pedido como mais arriscado.

Dívidas às Finanças e à Segurança Social: o ponto mais sensível

É aqui que o pedido mais se complica. As dívidas à Autoridade Tributária e à Segurança Social são públicas e fáceis de confirmar, e há instituições que pedem declarações de não dívida antes de decidir. Quando há valores em aberto, o pedido tende a ser recusado por três razões:

  • são dívidas ao Estado, com muito peso na avaliação;
  • mostram que ficaram obrigações básicas por cumprir;
  • fazem duvidar da capacidade de pagar no futuro.

Não é uma regra absoluta: um perfil estável e um plano de regularização já em curso podem mudar a avaliação. Ainda assim, o mais prudente é resolver estas dívidas antes de avançar.

E se forem só faturas em atraso?

Contas de luz, água, telecomunicações ou mensalidades em atraso são um caso diferente: não aparecem no Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, porque estão fora do sistema bancário. Isso não quer dizer que passem despercebidas. Podem:

  • ficar registadas em bases de dados de risco (como a COFACE ou a InformaDB);
  • dar a ideia de alguma desorganização financeira;
  • acabar, em último caso, em ações judiciais ou penhoras.

Mesmo uma fatura pontual pode pesar na análise, sobretudo se ficar registada numa base de dados de risco, e várias pesam mais.

O crédito consolidado resolve?

O crédito consolidado junta vários créditos numa só prestação. É uma boa ferramenta para reorganizar o orçamento enquanto ainda tem os pagamentos em dia, mas tem limites claros:

  • se já houver incumprimento registado no Banco de Portugal, dificilmente é aprovado;
  • as dívidas às Finanças ou à Segurança Social costumam impedi-lo na mesma;
  • não serve para “limpar” faturas em atraso, que estão fora do sistema bancário.

Ou seja: o consolidado organiza as dívidas, mas não apaga incumprimentos que já existam.

Então, pode pedir crédito com dívidas?

Depende do tipo de dívida, do histórico e do momento. Não há uma resposta única: cada caso é analisado por si. Este quadro resume o impacto mais frequente de cada situação:

SituaçãoImpacto na aprovação
Dívida em aberto às FinançasAumenta muito a probabilidade de recusa
Dívida em aberto à Segurança SocialAumenta muito a probabilidade de recusa
Faturas em atraso (pontuais)Pesam na análise, sobretudo se registadas em bases de dados de risco
Incumprimento registado no Banco de PortugalBloqueia praticamente qualquer crédito
Rendimento estável e dívidas regularizadasO pedido pode ser viável, conforme a análise do caso

Tem dívidas? Fale connosco antes de pedir crédito

Na Valoré não prometemos milagres. Analisamos cada situação de forma honesta e personalizada e explicamos o que pode pesar no seu caso antes de submeter o pedido; a decisão é sempre da instituição. Como intermediário de crédito vinculado, sem exclusividade, acompanhamos o processo do início ao fim, sem custos de intermediação para si: a remuneração da Valoré é paga pelas instituições de crédito.

Se tem dívidas e quer saber se pode avançar, fale connosco antes de dar o próximo passo.

Ver também: Taxa de esforço com vários proponentes: como conta e porque costuma baixar.

A Valoré, Lda. é intermediário de crédito vinculado, sem regime de exclusividade, registado no Banco de Portugal sob o n.º 0008728. Não concede crédito. Este artigo tem caráter informativo e não dispensa a consulta das condições de cada instituição.

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Equipa Valoré

A Equipa Valoré é formada por profissionais de crédito e intermediação. Escrevemos sobre crédito e finanças pessoais de forma clara e rigorosa, para ajudar cada pessoa a decidir melhor.

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